O caminho de Itupava não era bem algo que me despertasse
muita vontade de fazer, talvez pelo fato de não ter um cume a alcançar, nem
grandes alturas a ganhar ( muito pelo contrário pois o caminho na
realidade é uma descida quase constante
) eu relutava e sempre deixava pra outra hora . Mas enfim por insistência do
Gera que sempre falava da beleza do caminho e reforçado pela também insistente Juliana
em refazer o caminho colonial por onde ela havia passado de trem e queria fazer
a pé, acabei aceitando resignada (rsrsrs) fazer o caminho nem que fosse pra
calar a insistência do Gera que já havia dito que não faria mais nenhuma
montanha se a gente não fosse conhecer o histórico caminho que por muitos
séculos foi a única ligação entre a planície litorânea e o alto planalto
paranaense.
Mas eu nem teria cogitado ir se não estivesse incluído no
roteiro uma passada pelo Anhangava e pernoite no refúgio 5.13 , uma pousadinha show de bola onde montanhistas e escaladores constumam ficar pra escalar as vias do
anhangava . Pra apimentar um pouco a programação propûs um carreteiro com vinho
no sábado a noite no refúgio depois de
fazer o anhangava e na manhã seguinte partiríamos pra pernada no caminho do
Itupava.
Anhangava |
Diana - Anhangava |
O fim de semana foi excelente, no sábado a ida ao Anhangava
pela manhã serviu pra aquecer a musculatura das pernas pra caminhada do dia
seguinte e checar as várias vias que esse morro oferece pra quem curte escalada
em rocha, ainda volto lá pra escalar..
Uma das vias no Anhangava |
Compras pro carreteiro da noite |
O Refúgio 5.13 é uma excelente opção pra montanhistas, tendo ótima localização, bom ambiente,
uma cozinha ótima , banho quente com ducha boa, enfim o lugar perfeito pra se
ficar no pé do Anhangava . A noite não estava tão fria mas o suficiente pra dar
aquele clima que o nosso carreteiro pedia regado a vinho , hmmmmm.. . ficou
delicioso e passamos excelentes momentos antes de ir dormir cedo pois ficou
marcado 5 da manhã pra todo mundo pular da cama .
Refugio 5.13 |
O Lobo e meu celular acordaram juntos e às 4:30 começou a
movimentação. Café da manhã, confecção do lanche pra trilha, sanduba, fruta que inovou levando resto do carreteiro numa garrafa PET de 2 lts ,
parecia esquisita a idéia , mas na trilha lá pela metade o carreteiro foi bem
vindo.
O caminho de
Itupava é realmente bonito, a
trilha conserva o calçamento original de pedras (muito escorregadias) em quase
toda extensão, “passa ao lado das ruínas
da Casa Ipiranga e cruza a ferrovia.
Segue bem preservado até novamente cruzar a ferrovia no santuário do Cadeado, nascendo a meio caminho uma trilha a esquerda que leva à represa, à estação do Véu da Noiva e a cachoeira homônima.
Nsa Senhora Cadeado e visão pro Marumbi |
Continua abaixo do santuário passando por uma grande clareira, onde se fazia as cobranças dos impostos e encontra a estrada pouco abaixo da estação Engenheiro Lange, daí continua margeando o Rio Nhundiaquara” (site Rumos) .
Como todo amante de história e seus monumentos, gosto de
ruínas e casas antigas mas a Casa do Ipiranga é de dar dó, completamente
pichada, abandonada e depredada, uma pena.
Mas o bonito mesmo é ver os trilhos da ferrovia em meio
aquela natureza exuberante, cercada de cachoeiras, montanhas e mais adiante a
visão do Marumbi imponente. Tirando o
caminho extremamente escorregadio das pedras
(que me rendeu um tombo) a trilha
é fácil e sem maiores dificuldades embora cansativa pela extensão e bem
desgastante para os joelhos pelas descidas, mas enfim o valor histórico é
indiscutível, me perguntei o caminho todo como seria o transporte de cargas e
pessoas em carroças por aquele caminho de pedras em meio a mata, de quantas
histórias e dramas aquilo fora palco, e
como os pobre animais suportavam aquele castigo de descer em meio a pedras
escorregadias aquele caminho tortuoso.
Diana e foto clássica nos trilhos claro.. |
No site Rumos encontrei trechos que responderam minha
pergunta na semana seguinte, transcrevo aqui o texto de uma antigo relato do Auguste
de Saint`Hilaire - Viajante e Naturalista Francês.
“O primeiro passo difícil que encontramos, tem o nome de Pão
de Loth. Neste lugar o caminho é coberto (calçado) de grandes pedras
arredondadas e o seu declive é muito acentuado. De vez em quando as bestas de
carga são forçadas a dar saltos assustadores para o viajante que nunca passou
por essa serra.
A estrada volta a ser passável até o lugar denominado Boa Vista, porque daí se vê grande parte da planície que se percorreu antes de chegar a serra.
Na Boa Vista o caminho é cortado na montanha, numa profundidade de perto de quatro metros e não oferece mais que uma passagem estreita onde as mulas não avançam sem raspar-se com sua carga à direita e à esquerda. Logo começa-se a ver adiante de si um dos mais altos picos da serra, o Marumbi, cujos flancos cortados verticalmente não mostram, em vários lugares, senão rocha viva. A estrada vai se tornando cada vez mais difícil; em certos lugares ela é cavada na montanha a uma profundidade considerável, tem pequena largura e é coberta pela folhagem das árvores, que se entrelaçam no alto e privam o viajante da luz do dia. Em outros trechos são os atoleiros que surgem, e é com grande dificuldade que os burros se livram deles; finalmente há bruscos desníveis no terreno, que obrigam os animais a dar grandes saltos. Em vários lugares foram colocadas algumas achas de madeira sobre os atoleiros, mas os animais escorregam ao pisar sobre suas superfícies arredondadas e molhadas, correndo o risco de cair a todo momento.
A pior parte de todo o caminho é o começo da descida; tem o nome de Cadeado, o declive aí é rapidíssimo; os ramos entram pelo caminho que é cortado abaixo do nível do solo, e o tornam muito sombrio, avança-se por cima de grandes pedras escorregadias, e as mulas são freqüentemente obrigadas a se jogarem com suas cargas. Eu não cansava de admirar a habilidade desses animais para se safar de situações difíceis. Eles são treinados inicialmente para fazerem a travessia da serra sem nenhuma carga no lombo, em seguida levando apenas a cangalha e, finalmente, transportando a carga. Muitos morrem nos primeiros treinos, mas depois que a travessia foi feita muitas vezes os animais não encontram nenhuma dificuldade em enfrentar os obstáculos que o caminho apresenta a todo momento. Eles sabem escolher, com sagacidade extraordinária, os lugares onde podem colocar os pés com segurança.”
A estrada volta a ser passável até o lugar denominado Boa Vista, porque daí se vê grande parte da planície que se percorreu antes de chegar a serra.
Na Boa Vista o caminho é cortado na montanha, numa profundidade de perto de quatro metros e não oferece mais que uma passagem estreita onde as mulas não avançam sem raspar-se com sua carga à direita e à esquerda. Logo começa-se a ver adiante de si um dos mais altos picos da serra, o Marumbi, cujos flancos cortados verticalmente não mostram, em vários lugares, senão rocha viva. A estrada vai se tornando cada vez mais difícil; em certos lugares ela é cavada na montanha a uma profundidade considerável, tem pequena largura e é coberta pela folhagem das árvores, que se entrelaçam no alto e privam o viajante da luz do dia. Em outros trechos são os atoleiros que surgem, e é com grande dificuldade que os burros se livram deles; finalmente há bruscos desníveis no terreno, que obrigam os animais a dar grandes saltos. Em vários lugares foram colocadas algumas achas de madeira sobre os atoleiros, mas os animais escorregam ao pisar sobre suas superfícies arredondadas e molhadas, correndo o risco de cair a todo momento.
A pior parte de todo o caminho é o começo da descida; tem o nome de Cadeado, o declive aí é rapidíssimo; os ramos entram pelo caminho que é cortado abaixo do nível do solo, e o tornam muito sombrio, avança-se por cima de grandes pedras escorregadias, e as mulas são freqüentemente obrigadas a se jogarem com suas cargas. Eu não cansava de admirar a habilidade desses animais para se safar de situações difíceis. Eles são treinados inicialmente para fazerem a travessia da serra sem nenhuma carga no lombo, em seguida levando apenas a cangalha e, finalmente, transportando a carga. Muitos morrem nos primeiros treinos, mas depois que a travessia foi feita muitas vezes os animais não encontram nenhuma dificuldade em enfrentar os obstáculos que o caminho apresenta a todo momento. Eles sabem escolher, com sagacidade extraordinária, os lugares onde podem colocar os pés com segurança.”
Enfim valeu a pena a trilha, foge um pouco do que eu mais
gosto que é subir montanha e ganhar altura, mas valeu a pena pela importância histórica
e beleza do caminho. E ah! Claro sigo cada vez mais apaixonada pelo Paraná , pensando seriamente em me mudar pra cá..
Terezinha |
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Escalar? heheheh |
Eu e uma pegada "Anunnaki" |
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